Carreira e Mercado

APONTAR A PROFISSÃO E ACERTAR NA CARREIRA

M. Beatriz Balena é Doutora em Sociologia pela Universidade de Santiago de Compostela, na Espanha, e integra o Board of Experts da CP4 Cursos no Exterior.

Há uma crença generalizada de que a escolha de uma profissão leva necessariamente a definição da carreira profissional. Nada mais equivocado. A escolha de uma carreira depende de fatores muito mais complexos e interdependentes do que a qualificação acadêmica que acarreta num diploma.

Das várias escolhas que fazemos esta talvez seja uma das que mais provocam sentimentos contraditórios e muita angustia. Porque é uma das mais importantes, e que vai afetar a vida e o futuro. Assustados e confusos, os jovens precisam achar uma resposta. Há uma vantagem na insegurança da escolha: ela evita a fantasia da profissão pré-concebida, baseada em poucas avaliações e nenhum teste.

O processo de escolha da profissão, do curso em geral, é um processo dinâmico que pressupõe uma construção permanente, onde o ambiente social, familiar e o amadurecimento pessoal desempenham grande influência.

A escolha de uma profissão representa o esboço de um projeto de vida, um momento fértil de questionar valores, conhecer as habilidades, prestar atenção no que se gosta de fazer, desenhar a qualidade de vida que se pretende ter.

A profissão é como um espelho, diante do qual cada um procura ver a própria imagem e sua escolha desejada. A carreira é um processo mais longo, resultante dessa opção, acrescida de ideais a serem perseguidos, em etapas, até a conquista da inserção no mundo do trabalho e da realização profissional.

Até meados do século XX, acreditava-se que a escolha profissional e a carreira estavam traçadas definitivamente. As mudanças que experimentamos nos últimos anos, provam que nada é definitivo e nem está definido. A partir de experiências recolhidas ao longo do curso, nos estágios e trabalhos eventuais, e principalmente nas redes de trocas e de relacionamentos, através da incorporação das mudanças tecnológicas e das próprias vivências, é possível construir uma carreira que pode ou não se assemelhar ao curso profissional que deu início ao processo no mundo do trabalho.

Novos caminhos certamente vão surgir, na própria faculdade. O mercado de trabalho pode exigir adaptações ou uma grande guinada na carreira. A faculdade deve ser encarada como a escolha de uma plataforma, um alicerce para a construção da vida profissional.

Se tudo a nossa volta muda, se nós mesmos estamos em processos contínuos de mudança, nada mais natural do que a mudança na trajetória profissional também.

Especialistas afirmam que será possível experimentar mais de onze tipos diferentes de atividades durante uma vida de trabalho!

De tudo isso é importante perceber que não existe a “escolha errada” nem a “certa”. O que existem são e serão sempre tentativas de adaptar seres em mutação, multimidiáticos ao mundo do trabalho, e imaginar fazer o que vai nos dar prazer daqui a dez anos. O mais importante ao fazer uma escolha, é arcar com os ônus e os bônus dela, e seguir traçando os rumos da trajetória profissional, que ao final se consolida como a carreira. E que igualmente vai trazer identidade, sentido para a vida, e principalmente – satisfação! É ela que devemos perseguir na construção da nossa própria história, que é feita em parte das escolhas profissionais, e da carreira construída, e a outra parte será sempre do imponderável, do desconhecido, do que está por vir!

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